Nossa Senhora da Assedasse - Romaria em Folgosinho

António José Oliveira Morais é o atual arcipreste de Gouveia e pároco de Gouveia, Folgosinho, Freixo da Serra, Melo e Nabais.
Nasceu em Cativelos, Gouveia, a 12 de fevereiro de 1941 e foi ordenado padre a 1 de agosto de 1965. Faz parte da Comissão Diocesana de Música sacra.
Foi o Assistente Diocesano do Movimento Vida Ascendente.

Os nomes pelos quais responde, são vários e de origem desconhecida: Assedasse, Sardaça, Cedarça, Cerdaça, Dassedasse significam a mesma realidade. Origem dos nomes? São várias as tentativas de a definir- Uns relacionam o nome "Sardaça", com uma epidemia de sardas que ali teria caído; outros - Cerdaça, ou Cedarça, porque ali se teria cultivado linho e o nome teria que ver com as cerdas . fibras do linho; outros relacionam o nome com uma possível divindade ligada ao Mondego, "Mondego que teria tido origem no culto, o mais frequente, à divindade lusitana de nome Munda, que é vulgar em toda esta zona centro.
Que esta capela é românica, não oferece dúvida, mesmo apesar dos atropelos que ao longo dos séculos foi suportando. Muito provavelmente é anterior à nacionalidade. A Senhora da Assedasse aparece doada, por D. Sancho I, como benfeitoria, ao seu homem forte de armas: Pero Vasques, homem de armas, que herdara de seu pai, Afonso Henriques.
O que foi? Com certeza um povoado, que, segundo alguns, se teria chamado "Vila Nova de Felgosino" e que teria tido foral. Não é certo. O que, de facto é certo, é que, no sec XVI, tinha trinca e cinco vizinhos - moradores e uma rua chamada: Rua da Ferraria. A verdade é que as ruinas de casas aparecem espalhadas um pouco pela margem do rio e pelas tapadas. Eu ouvi aos mais velhos, os que lavraram e cultivaram aquela zona, que, quando se lavrava fundo, apareciam ruinas. Nunca ninguém se preocupou com isso, até porque não era fácil criar interesse. Há, uma ou outra torça de portas, em granito, que ali não existe. Há ainda restos de um capitel em granito e ainda, um relógio de sol, em granito também, que serve de pedra basilar de um janelo que ainda existe, mas não se diz onde está.
Esta povoação foi abandonada, dizem uns, devido a uma epidemia de formiga branca que teria destruído tudo, ou a uma epidemia de sardas, ou outra razão desconhecida. Frei Agostinho da Cruz diz que, no ano de?? (Sec. XVI), a aldeia de Folgosinho foi enriquecida com um número considerável de novos habitantes, que abandonaram a Senhora da Assedasse, devido a uma qualquer epidemia. Qual? Não refere. A veneração da Senhora- uma imagem com o Menino ao colo, datada, segundo uns (Instituto José de Figueiredo que a restaurou) do sec XVI, segundo outros, do Sec XVII,- tem dois momentos fortes: o primeiro, na segunda feira de Páscoa, com origem num voto feito pelo Povo de Manteigas, solicitando a intervenção da Senhora para o termo de uma epidemia - catástrofe? - que assolara as suas culturas. Cumpriu o voto enquanto pode. Quando para eles se tornou difícil continuar o seu cumprimento, pediram a Folgosinho para o continuar, o que acontece ainda hoje. O segundo momento é a Festa da Natividade de Nossa Senhora, a 8 de Setembro. Estes dois momentos acontecem sempre ligados à terra. O primeiro às sementeiras - é a bênção para as sementeiras - o segundo às colheitas. É a bênção da Mãe para as colheitas. A Senhora faz parte entranhável da vida desta gente ligada à serra. Muitos foram os votos que lhe foram feitos ao longo dos tempos. Restam dois (ex-votos) como testemunhas. Muitas são as preces que hoje, ainda e com intensidade lhe são dirigidas, porque a devoção é grande e intensa, porque a Senhor é da serra. Quando entrei em Folgosinho, altura em que os caminhos eram de cabras, ia-se à Senhora a pé. No voto e na festa, fazia-se procissão desde o cruzeiro até à capela. Foi-se deixando com a chegada dos transporte automóvel que aproveitou as estradas de terra abertas pelos Serviços Florestais. A procissão do dia 8, veio mais tarde.
hoje. há de tudo: diversão, convívio, negócio - ocasião de venda de gado - que já se vai perdendo e fé. Indubitavelmente, fé. Só quem vive aqui e vai acompanhando aqueles e aquelas que, a pé vão rezar lá acima e lhes conhece as mágoas, pode avaliar. A bênção da Serra está naquela capela e na imagem que lhe pertence. E não são apenas as gentes de Folgosinho que ali vão rezar. Manteigas. Sameiro, Vale de Amoreira, Valhelhas, Famalicão, Videmonte, as aldeias confinantes com Folgosinho, ali vão, porque a Senhora está lá de ouvidos e coração aberto a todos.

 

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