Já se descrevia, no Antigo Testamento, a natureza de Deus como paciente e misericordioso. A sua omnipotência se manifesta na eterna Misericórdia.
O Senhor “libertará” os prisioneiros, ampara os fracos, cura os enfermos, anima os prostrados e é o refúgio dos oprimidos. Deus manifesta-se na ternura, na compaixão, no perdão e na indulgência através dos seus desígnios que coloca nos que acolhe para darem testemunho de si. O Papa Francisco, neste Ano Santo da Misericórdia, que agora se inicia, exorta-nos a ser Misericordiosos como o Pai.
Aos Cristãos caberá responder ao apelo do Santo Padre, enfrentando a indiferença humana, prosseguindo o rumo que leve à cura das feridas do Ser Humano, sejam físicas ou morais.
A sociedade humana, hoje, navega num oceano de tormentas, cujo horizonte é, além de negro, cheio de ódio, ira, injustiça e impera o crime e a vingança.
A esperança desta “nau”, pouco confiante em encontrar bom porto, alicerça-se numa igreja, capaz de a conduzir a olhar o vizinho, seja ele humilde, fraco, abandonado ou doente, mas como ser humano que é, perante o Deus Misericordioso, merecedor de compaixão e do perdão.
É missão do Cristão dar testemunho de Cristo, que foi enviado pelo Pai para divulgar a sua vontade e a sua voz.
Chegámos assim ao apelo que nos é proposto. Sermos anunciadores da alegria de um novo caminho que, em vez do Mar encapelado e enfurecido pela ira, vaidade, ódio, vingança e injustiça que a sociedade atual trilha com tanta naturalidade, opte pela tolerância, alegria, humildade e dê a mão, com sorriso rasgado, ao semelhante que vive só, esquecido e, em silêncio, sofre, angustiado e sem esperança.
Na nossa fragilidade chamemos a nós quem nos dá motivo para nos tornarmos fortes e espiritualmente ricos. E que belo exemplo de vida de missão nos dão as Misericórdias e os seus agentes…
O Santo Padre foca, no Jubileu da Misericórdia, as suas 14 obras e para elas chama a nossa atenção. Prestemos-lha então.
Alcides Henriques
