Pe. José Luís Fernandes Borga, nasceu em Lapas, aldeia junto à cidade de Torres Novas, a 19 de novembro de 1964, cerca de uma hora depois do seu irmão, Luís Manuel, numa família onde havia já duas meninas e o irmão primogénito que, nessa altura, já frequentava o Seminário Menor de Santarém.
Portanto, há dois padres Borga, irmãos com doze anos de diferença: primeiro, o João Maria e, depois, o José Luís! A música e a escrita, tanto em casa como na sua comunidade paroquial foi sempre presente. Desde muito jovem integrou-se no serviço da liturgia da comunidade . Editou 5 CD’s e 5 Livros.
Nesta vida só vivemos o que nós, primeiro, aceitamos e, depois, queremos. O pior é que nós também podemos não aceitar e, por isso mesmo, não querer o que a Vida de melhor nos oferece como dom e desafia a querer por nossa missão! Tudo isto é conjugado em tempos e espaços, necessários e próprios para o nosso fim.
Ano santo é um especial tempo favorável no qual a Vida nos oferece, renovando a Sua proposta para nos capacitar e nos poder orientar o nosso livre querer. Penso, a este propósito, no exemplo das Olimpíadas, que se realizam de quatro em quatro anos por isto mesmo pois é preciso que haja tempo para se renovarem as apostas e o empenho, para se renovar o querer e lutar, ainda mais, no sentido de se alcançarem melhores marcas, pessoais e coletivas.
Assim os progressos serão bem possíveis e muito mais visíveis. Uma Olimpíada só regista o melhor que aquela nela alcançou, anunciando que na próxima tudo será “mais alto, mais longe e mais forte!”.
O tempo que existe entre as provas Olímpicas é necessário para a luta e o trabalho, bem ponderado e calendarizado, por forma a que se evolua na arte e capacidade desportiva.
Neste caso, após a convocação deste ano santo, que agora começa, somos todos e cada um de nós, cristãos e homens de boa vontade, desafiados a evoluir consideravelmente na nossa capacidade de vivermos em misericórdia. Uma capacidade da alma que, de tão carente, procura, solicita e se deixa amar por Deus, “rico em misericórdia” para, “nesta base” podermos arriscar e aventurar-nos nesse “registo” de relação com os irmãos, de quem nos devemos aproximar com essa única vontade: sermos misericordiosos como o Pai!
Porque é que isto é tão decisivo? Porque facilmente se instala demasiada desumanidade na nossa forma de ser, sentir e consentir.
Porque se não temos a felicidade de a experimentar não a podemos conhecer e, assim, aprender como ela é e como ela se faz presente em nós.
Porque a misericórdia é algo que só nós provando e vendo é que sabemos como ela é, além saborosa, boa e justa.
Porque ela é vital para toda a humanidade!
Ela é a “prova dos nove” da qualidade e quantidade da nossa santidade. Seremos julgados por ela ou pela sua ausência. Diante de tantas trevas e erros; perante tantas manifestações de tantos medos, que geram violências e mortes, é urgente luz e paz só possíveis por gestos de verdadeira Caridade, que se alimenta de Misericórdia.
Quem não precisa de força vinda da ternura, da paciência e do perdão?
Quem pode ficar fechado e escravizado na lógia do mal e da maldade que tão bem conhecemos e identificamos na nossa história pessoal e coletiva? Então este ano é um tempo de crescermos e melhorarmos nos nossos níveis de receção, experiência e oferta de Misericórdia. Como atletas Olímpicos que se propõem gastar tempo e energias na sua melhoria pessoal.
Durante este ano serão muitas as manifestações eclesiais desta presença e desta fonte que é a misericórdia divina, para nós. Tomando dela mais consciência, felizmente, precisamos de ver se ela consegue que entre nós e em nós ela produz os frutos melhores e mais desejados por Deus e pelos nossos irmãos. É a Igreja a fazer caminho e a querer mostrar o que de melhor ela pode oferecer a esta humanidade, neste estado de coisas a que nós chegámos.
Disse-nos o Papa Francisco no dia 13 de março, na Basílica de São Pedro: “Estou certo de que toda a Igreja (...) poderá encontrar neste Jubileu a alegria para redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual cada um de nós está chamado a dar conforto a todos os homens e mulheres do nosso tempo.”