Sacramento da Ordem

Sacerdote – uma vida!

Quando fui batizado, em 10 de Março, de 1924, na freguesia de Fiães (Trancoso), com nome de José, o Pároco daquela freguesia, o santo, Sr. Padre José Maria Dias, disse à minha mãe, Elvira, estas palavras: “Vais dar este teu filho à Igreja.” Respondeu minha mãe: “Eu até lhos dou todos.” Eu era o terceiro, mas nasceram mais cinco.

Tanto o meu pai, Francisco, como a minha mãe viviam muito modestamente do trabalho do campo, mas eram de comunhão diária e assim ensinaram os filhos.

Por falta de professora, devido a grave doença, só comecei a escola aos dez anos. Quando fiz treze, fui matriculado no seminário do Fundão, com o currículo de cinco anos.

Vim, depois, para a Guarda fazer o curso de Filosofia que incluía o estudo de várias línguas, ao longo de três anos. Entrei, depois, no curso de Teologia que durou 4 anos. Entretanto fui ordenado Padre em 2 de Abril de 1949, tendo concluído o curso de Teologia em 23 de Junho.

Vieram as férias, à espera de colocação, coisa que não era fácil por haver muitos padres. Chegou essa hora: 4 de Setembro, em Lagarinhos. No mesmo ano, em 2 de Outubro, assumi também a freguesia de Rio Torto.

Como Novelães não tinha lugar de culto, iniciámos a construção de uma capela. Quanto à Igreja Paroquial, tivemos o cuidado de pensar na sua restauração, começando pela construção de uma torre, que não havia, onde foi colocado, por oferta da Ponte Pedrinha, um relógio de 7 sinos que continua a funcionar.

Ao assumir o encargo de Rio Torto, vi que havia necessidade de uma igreja, pois a capela de culto, além do triste estado em que se encontrava, era muito pequena para aquela povoação. Depois de imensos sacrifícios, construímos uma bela e espaçosa igreja, seguindo-se a construção do salão para a Catequese e a casa paroquial onde residi 37 anos.

Durante 29 anos fui também professor no novo Seminário de Gouveia (União de S. João Batista – Alemanha, no Colégio Nuno Álvares – Diocese da Guarda e na Escola Secundária do Estado) assumindo o encargo de várias disciplinas de harmonia com as necessidades e a falta de professores.

No dia 2 de Setembro de 1986, fui chamado à presença do nosso Bispo, D. António dos Santos, para me comunicar que ia ser nomeado Pároco das freguesias de Tourais e de Paranhos, continuando com a freguesia de Rio Torto. Embora com muitas dificuldades, aceitei, tanto que havia vários meus colegas com interesse por tal cargo. Felizmente, ainda estava em Paranhos o Sr. Padre Agostinho, meu grande amigo e que muito me ajudou. Estas freguesias têm muitas anexas, o que tornou mais difícil este encargo.

Além do trabalho pastoral, desde a primeira hora tivemos de pensar nas obras materiais indispensáveis, que se foram construindo:

Além da reparação da antiga capela, uma nova igreja em Vila Verde que foi inaugurada em 29 de Agosto de 1999, ampla e muito bela.

Foi necessário construir numerosas salas de Catequese, salões para reuniões para albergar durante a noite os nossos defuntos, além de 18 capelas que foram restauradas, tal como se fez ao Santuário de Santa Eufêmia que sofreu profunda restauração, tornando-o o maior Santuário de Santa Eufémia de todo o país. Foram restauradas as igrejas de Tourais e Nossa Senhora das Neves, antiga igreja Paroquial de Paranhos. Em Girabolhos foram construídos dois amplos salões, além da restauração da igreja paroquial e das capelas de S. Nicolau e de S. Simão, esta na Ortigueira. Felizmente, neste momento não temos dívidas.

Pe. José Soares Coelho

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