Participação é um termo recorrente na Liturgia atual, que significa tomar parte, e é sinónimo de adesão e intervenção. É uma expressão tão usada que até parece mesmo o mote da Reforma litúrgica, qualificada com vários adjetivos: plena, consciente, ativa, piedosa, fácil, interna, externa.
A participação litúrgica comporta três aspetos, distanciando‐se de uma abordagem meramente sociológica: a ação de participar, a coisa em que se participa; os participantes.
A ação de participar, enquanto ação humana, implica atitudes externas e hábitos interiores. Uns e outros são, por sua vez, suscetíveis de gradualidade e de modalidades diferentes, todas orientadas para uma finalidade ou meta da ação participada, isto é, a própria celebração litúrgica.
A coisa em que se participa na Liturgia é o mistério que se celebra, sob a forma de memorial. O participar na celebração significa transcender e ultrapassar o âmbito semântico‐ritualista para penetrar no coração da ação litúrgica. A participação externa é só o primeiro estádio da participação na celebração, ao mesmo tempo subjetiva e objetiva. A fusão destes dois tipos de participação é um ideal ao qual se perspetivam a pastoral e a espiritualidade litúrgicas.
Os participantes são as pessoas fiéis, que se tornam atores e ministros da própria celebração. Participa‐se, numa celebração, quando as pessoas estão envolvidas e interagem diante do mistério das três pessoas da Santíssima Trindade.
A participação é, portanto, um direito e um dever. A participação nas ações litúrgicas não é qualquer coisa de extrínseca ou de acessório, mas faz parte da própria natureza da Liturgia, que é ação de todo o povo de Deus. Por outro lado, esta participação pertence ao carácter batismal dos fiéis.
