Entrevista ao Pe. José Dionísio, Diretor Secretariado Diocesano Liturgia

O Pe. José António Dionísio Sousa, diretor do Secretariado Diocesano da Liturgia – Guarda. É Responsável pelas Comissões de Pastoral Litúrgica e Música Sacra.
O Pe. José Dionísio, nasceu a 22 de Fevereiro/ de 967. Foi ordenado a 02 de Fevereiro de 1992. É Pároco de Aldeia Viçosa, Faia, Cavadoude, Misarela, Pêro Soares, Porto da Carne, Vila Cortês do Mondego e Vila Soeiro. É Diretor da Escola de Música Sacra. Faz parte do Conselho Presbiteral e é Membro do Cabido da Sé da Guarda.

Enquanto diretor do secretariado diocesano de pastoral litúrgica, neste ano em que a diocese nos desafia no plano pastoral a celebrar melhor e com mais dignidade, quais as dimensões e aspetos que claramente poderíamos melhorar para que as nossas celebrações na diocese sejam mais verdadeiras e dignas?

Com o empenho geral – especialmente os responsáveis sacerdotes e diáconos – em cuidar mais de saber claramente como participar nas celebrações – cada grupo e cada pessoa. Porque a ignorância vem habitualmente do desleixo, “tem-se feito sempre assim…”, ouvimos muitas vezes. Sem nos questionarmos, sem querermos saber porque é que se devem fazer bem as inclinações, preparar bem uma Leitura, escolher bem um cântico (sem cedências generalizadas a cânticos pop-rock travestidos de ‘religiosos’, p. ex.), presidir ou orientar bem uma celebração e não ser tão criativos, que se despreze um ritual que a Igreja aprovou para ajudar a rezar em assembleia. A maior parte das vezes para se celebrar bem, basta que o que está à frente do povo, reunido estude e respeite as rubricas (sem ritualismos ou tiques de contador de histórias para crianças), respeite o ritmo da liturgia (dê explicações muito breves e claras, se necessário) e use de bom senso no ministério (serviço!) que está a prestar. Sem pressas, nem vagares beatos.

Sendo que, a nível diocesano queremos este ano olhar para a Sacrossantum Concilum - do Concilio Vaticano II, na sua opinião que aspetos falta ainda cumprir e concretizar na nossa diocese e nas nossas comunidades?

Claramente assumir que a oração litúrgica é fonte e é meta de toda a vida da Igreja! Isto não é teoria. Não é capricho de liturgistas do Vaticano ou do Secretariado da Guarda. Não são delírios de uma elite católica. É a vida das comunidades cristãs que aí encontrarão mais alegria e forças para ir às periferias a testemunhar o amor que Deus nos tem (através da caridade) e a anunciar aos outros que vale a pena acreditar no Evangelho. Se não assumirmos isso, continuaremos a definhar enquanto comunidade (igreja-assembleia) cada um a achar que basta a catequese de infância – cada vez com menos ligação à celebração do Domingo; que chega ter as “comunhões” todas; que o casamento já não está na moda; que a festa da “santa” tem de se fazer, mesmo que o dia de Páscoa, do Pentecostes, do Natal…passe cada vez mais despercebido e que aos domingos não se vá rezar com os outros baptizados. Faço votos que dentro do ‘pequeno rebanho’ que ainda pratica (e os seus pastores) preparem bem esse encontro semanal com Deus, participando e incentivando a participar alegremente. Se não, seremos uns tristes. Talvez cultos, mas tristes no culto.

Na sua opinião como poderíamos valorizar mais e melhor o ciclo litúrgico anual?

Claramente com um maior empenho da parte dos responsáveis pela liturgia nas paróquias e nas outras comunidades. Mas também com a catequese (desde a infância, onde a houver) de todos os níveis, a ser muito mais “litúrgica” e voltada para as celebrações litúrgicas. O que quero dizer é que a catequese e toda a formação cristã – mesmo a que é dada pelos diferentes Movimentos católicos – se não tiver como meta a celebração da Fé semanal, não passará de uma teoria ou de uma ideologia. Celebração na comunidade paroquial, no bairro, no hospital, etc. Depois há os pontos altos do Calendário anual, que não devem ser as festas devocionais onde cada vez mais é a tradição humana e o dinheiro que mais ocupam e preocupam.

Neste ano pastoral foi proposto pelo Bispo Diocesano uma formação específica para agentes pastorais de CDAP (Celebração do domingo na ausência do presbítero). Qual a pertinência e a urgência da realização desta formação específica dirigida de forma especial aos ministros da comunhão?

Eu continuo convencido que esta não pode ser a solução definitiva. Isso era desistir de encontrar as formas que Deus nos inspira para encontrarmos os padres de que a Igreja precisa. Não estou a desqualificar os diáconos, os fiéis leigos, as religiosas. Cada vocação tem o seu serviço a prestar. Mas, o Domingo é tão importante que temos de fazer tudo para que cada batizado tenha a oportunidade de participar na Missa dominical. É a celebração mais excelente do dia do Senhor! Em todos os sectores da vida humana se privilegia a excelência. E nós: ficamos contentes só com os mínimos?! Por isso é que os Bispos do mundo inteiro falam de uma solução provisória. Aqui e agora (em Portugal, na Europa…) não há padres para presidir a todas as celebrações do Domingo. Pede-se o serviço fundamental de diáconos, leigos, religiosos… Mas não temos fé, nem audácia para ajudar a encontrar padres deste tempo (nem que se mude algo da disciplina da Igreja) e para este tempo? Eu acredito que sim. Mas não, se nos acomodarmos. Entretanto pede-se disponibilidade e vontade da parte daqueles que orientam essas celebrações (ou gente nova a quem os pastores peçam esse serviço). Que percam umas boas horas para se formarem a partir de um texto-guia que existe na nossa diocese e assim fazerem como deve ser.

Recentemente o secretariado diocesano a que preside renovou a sua presença na internet com um novo site. Que aspetos destaca desta presença na internet? Que aspetos destaca neste novo site?

A presença do Secretariado da Liturgia na internet esteve um pouco apagada. Agora estamos a renovar esse serviço de apoio às pessoas e comunidades. A ajuda de um benfeitor foi fundamental para refazermos o site e agora divulgamos as formações deste ano de 2015/16, por exemplo, onde destaco o VI Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica – Guarda, 11 de Junho. Também se encontram lá as sugestões de cânticos para as celebrações do Domingo e até uma introdução/admonição para cada Domingo. Vamos divulgando também algumas partituras de cânticos feitos por compositores da nossa Diocese da Guarda. No site www.liturgiaguarda.com podem encontrar-se os contactos do padre Daniel Cordeiro – diretor adjunto do Secretariado e dinamizador do site – e o meu mail também. Está a enriquecer-se o site com material que tenha a ver com os diferentes ministérios litúrgicos. 

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