Rafael José Almeida Neves é pároco em São Martinho e Santa Marinha, arciprestado de Seia, e Paços da Serra, Mangualde da Serra e Moimenta da Serra arciprestado de Gouveia. Nasceu em 9 de setembro de 1985 em Vale de Estrela, Guarda, e foi ordenado padre a 3 de julho de 2011. Faz parte do Conselho Presbiteral e é presidente do Centro Social Paroquial de Santa Marinha.
Terminámos em fevereiro passado a celebração do Ano da Vida Consagrada convocado pelo Papa Francisco para toda a Igreja. Situemo-nos, recordando aqui os três objetivos que o Papa traçou para este ano na alusiva Carta Apostólica:
‘olhar com gratidão o passado, viver com paixão o presente, abraçar com esperança o futuro’.
Em primeiro lugar, é de gratidão que se trata para todos os seguidores de Jesus, consagrados e consagradas. Ao repassar a história dos diversos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica na Igreja permite-nos verificar que ela está repleta de páginas entusiastas e heroicas que os próprios consagrados e consagradas escreveram. No entanto, não podem os consagrados e consagradas ser apenas «filhos pigmeus de pais gigantes». O Ano da Vida Consagrada pretendeu ser também a ocasião para viver com paixão o presente, aqui e agora.
A lembrança agradecida do passado impele-nos a constatar que a vida dos consagrados e consagradas não foi nunca dirigida unicamente por mãos humanas. Foi o Espírito que criou, recriou, transformou e impulsionou os consagrados e consagradas a viverem sempre fiéis a Deus e ao Seu Povo que caminha, luta, sofre e espera. Por isso nem aos consagrados, nem às consagradas é permitido imobilizarem-se, fecharem-se e viverem de costas voltadas para o mundo.
Vivem-se tempos desconcertantes, de incerteza e esperança, é um tempo confuso mas também apaixonante. Assistimos como processos sociais e culturais radicais mudam o mundo e vemos como surgem novas culturas e estilos de vida novos. Isto interpela os próprios consagrados e consagradas, questiona-os e «obriga-os» a buscarem formas mais significativa para os jovens de hoje. Assim apelava o papa Francisco a um instituto de Vida Consagrada: «A fidelidade, o manter puro o carisma, não significa de nenhum modo fechá-lo numa garrafa selada, como se fosse água destilada, de modo que não seja contaminado a partir do exterior. Não, o carisma não se conserva pondo-o aparte; é preciso abri-lo e deixar que saia, para que entre em contacto com a realidade, com as pessoas, com as suas preocupações e os seus problemas. E assim, neste encontro fecundo com a realidade, o carisma cresce, renova-se e também a realidade se transforma, se transfigura através da força espiritual que o carisma traz consigo».
Concluído o Ano da Vida Consagrada, estamos convencidos de que as vocações de especial consagração são dom do Espírito para a Igreja e para o mundo. Neste sentido a Vida Consagrada tem futuro, mas depende muito dos seus intervenientes, da sua capacidade de renová-la, recreá-la e refundá-la. Os valores evangélicos em que acreditam têm de ser traduzidos e encarnados em símbolos de modo que sejam significativos para os homens e mulheres de hoje numa atenção permanente ao Espírito que «sopra onde quer».
