O Padre Alfredo Pinheiro Neves nasceu a 22 de janeiro de 1956, em Manteigas. Foi ordenado Sacerdote a 4 de julho de 1981. Foi Vice Reitor do Seminário do Fundão. Atualmente é Pároco da Sé e São Vicente, na Guarda. É Assistente Geral da Liga dos Servos de Jesus.
“A Sua Misericórdia se estende de geração em geração, sobre aqueles que O temem”.
É impensável que algo possa existir sem que esteja abrangido pela essência de Deus, pelo Seu Amor. Deus é Amor. Assim tudo quanto existe é fruto do Amor que Deus é em si. Amor necessariamente eterno. Amor de ontem, de hoje, de amanhã e de toda a eternidade. Ensina-nos bem o salmista no grande Hallel: “ é eterna a Sua bondade” (Sl. 136).
Nesta perspetiva, Maria de Nazaré, a eleita de Deus e por Ele consagrada em plenitude de santidade, a Imaculada Conceição, a que uma vez convidada, aceitou ser missão singular, a Mulher única, a Virgem Mãe e a Mãe sempre Virgem, surge como a mais bela criatura gerando-se nela a Misericórdia, o Amor que Deus é. A Sua existência é por si mesma expressão peculiar do amor gratuito, generoso, eterno e omnipotente que se difundirá posteriormente e através dela a toda a criatura e à Criação inteira. Para que tal não cesse de acontecer e se torne sempre manifesto e abrangente, o próprio Deus a consagrou ligando-a intimamente a si e, pelo dom da fecundidade virginal, enaltecendo nela o dom sublime da maternidade, tornou-a mãe do Seu Filho pela força do Amor mútuo e recíproco que os constitui como Pai e Filho.
Foi assim que Maria, tornando-se mãe, concebeu o Filho de Deus; gerou-O nas suas entranhas e deu-O à Luz como rosto inefável da Misericórdia divina. Maria é Mãe do Filho de Deus misericordioso que sendo-o desde sempre, na plenitude dos tempos se corporizou como Verbo incarnado, Jesus, o Qual, sem deixar de ser Deus, se fez homem, unindo desse modo e para sempre o homem ao próprio Deus.
Maria é, por graça de Deus, mãe deste Mistério; mãe desta Misericórdia incarnada, deste amor que vem ao mundo e que o reorienta definitivamente no “eixo” misericordioso para o qual fora criado pelo Próprio Deus.
Mas Maria torna-se ainda mais “mãe de Misericórdia” graças à fidelidade do seu “SIM” oportunamente manifestado a Deus e n’Ele conservado para sempre. Um “SIM” tão abrangente que o mesmo se envolve com o “SIM” do Filho de Deus a Seu Pai e com o “SIM” do próprio Verbo à Sua mãe na historicidade da Sua existência. Ela recebeu-O dentro de si e acompanhou-O até à Sua Páscoa gloriosa, pelo “subir de novo” para o Pai, numa fidelidade sem limites.
Foi graças ao “MISTÉRIO” deste “SIM” que a maternidade de Maria se enriqueceu ainda mais e se projetou para um outro significado e para uma nova dimensão. Ela é nossa mãe!
É nesta nova maternidade que todos nós fomos e somos envolvidos. “ Mulher, eis o teu filho!” - Disse-lhe Jesus no Calvário. - “E João levou-a para sua casa”. João tornou-se o “novo filho” de Maria. João representou a Igreja e representou-nos a cada um de nós. Deste modo os novos filhos de Maria somos nós, a Igreja. A Mãe da Misericórdia tornou-se em “maternidade misericordiosa” e que não cessa de nos entregar a Misericórdia de Deus, o seu Filho Jesus. Se o Amor do Pai entregou o Seu Filho (Verbo Eterno) a esta mulher, eleita e agraciada, o mesmo Pai e o mesmo Filho entregam-se a todos nós ao longo da nossa vida, como misericórdia absoluta, através e com o amor maternal desta mulher, a mãe sempre virgem que nos acolhe e nos protege como é próprio das mães.
A misericórdia de Deus que nos propomos celebrar ao longo deste ano jubilar, é-nos oferecida pelo Pai no Seu filho e o amor do Filho não chega até nós senão através desta mãe que generosamente tendo-O concebido, O oferece a todos. Quem O recebe constitui-se, por esse facto, verdadeiro corpo d’Ele e do Qual Ele é a cabeça. É por isso mesmo que Maria se torna nossa mãe na ordem da graça. Mãe desse corpo místico. Não nos inibimos pois de a tratar como Mãe, nossa advogada, Senhora da Misericórdia, verdadeiramente Rainha e nossa Esperança definitiva. Ela nos acompanha no nosso peregrinar; solícita, vela por nós e de Deus invoca o perdão para as faltas em que continuamente caímos. Mãe conhecedora do Seu Deus e do Seu Senhor. Conhecedora dos nossos mistérios, “neste vale de lágrimas”, vai-nos recordando a necessidade de fazermos sempre: “ o que Ele nos disser”.
A esta mãe que se encontra junto de Deus sem deixar de ser presente às nossas necessidades imploramos o seu “olhar de ternura e de misericórdia” em nosso favor. Mais que o olhar, queremos que as suas “entranhas de amor” constantemente gerem para nós a vida e a presença de Seu Filho, única Porta que nos leva à imensidão do Pai e do Seu Amor. A Eternidade que O constitui.