Em 04 de Julho de 2014, o Papa Francisco nomeou como bispo da Diocese de Aveiro D. António Manuel Moiteiro Ramos, que nasceu na Aldeia de João Pires, do concelho de Penamacor, do Distrito de Castelo Branco e Diocese da Guarda, em 17 de Maio de 1956. Frequentou os Seminários Diocesanos do Fundão e da Guarda, sendo ordenado presbítero em 08 de Abril de 1982.
Para além da paroquialidade exerceu, ao longo de trinta anos de sacerdote, outros serviços na Diocese da Guarda. Frequentou as aulas no Instituto Superior de Pastoral, em Madrid, concluindo o doutoramento em teologia pastoral, em 1997, com a tese «Os catecismos portugueses da infância e adolescência de 1953-1993».
Foi nomeado bispo-auxiliar da Arquidiocese de Braga em 08 de Junho de 2012 pelo papa Bento XVI, com o título de bispo-titular de Cabarsussi, recebendo a ordenação episcopal em 12 de Agosto de 2012, na sé da Guarda, presidida pelo cardeal D. José Saraiva Martins, tendo como bispos ordenantes D. Manuel da Rocha Felício e o arcebispo D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga.
Há cerca de dois anos foi nomeado bispo da diocese de Aveiro. Que balanço faz deste período à frente de uma diocese ‘tão jovem’?
A realidade da Diocese da Guarda e da Diocese de Aveiro é muito diferente: as paróquias são mais populosas (310.000 batizados e 101 paróquias dá uma média de 3.000 habitantes por paróquia) e é uma região mais industrializada. O balanço que faço é positivo: a realidade ajudou-me a conhecer pessoas muito empenhadas em todas as áreas – religioso, cultural e económico – destacando a presença da universidade na cidade e região de Aveiro.
Integra como vogal a Comissão Missão e Nova evangelização da Conferência Episcopal Portuguesa. Em seu entender como se encontra a animação missionária na Igreja em Portugal?
Temos de dar passos muito significativos na dinamização missionária das nossas paróquias e dos nossos cristãos. A tentação é olhar para a torre da nossa Igreja, esquecendo a dimensão missionária dentro de uma paróquia ou diocese.
Os institutos missionários têm feito muito trabalho neste campo, mas é urgente criar grupos de animação missionária nas nossas comunidades cristãs.
Que trabalho específico pode ser feito nas paróquias ao nível da animação missionária?
A primeira coisa que devemos fazer é constituir um pequeno grupo que faça esta dinamização missionária, ajudando a mudar mentalidades e modos de atuar pastoral. Depois, é muito importante que se façam “geminações” com outras paróquias, formar grupos de jovens voluntários que dediquem algum tempo à missão ad extra, não esquecendo nunca o poder da oração como forma de mudar os corações e as mentalidades. Quando a oração é bem feita, somos nós que mudamos o nosso coração e a nossa forma de agir segundo o discernimento que pouco a pouco vamos descobrindo no encontro com Jesus vivo e ressuscitado.
Sente, que os leigos têm consciência de que ‘ser missionário(a)’ é uma exigência do Batismo?
A mudança de mentalidade é sempre muito difícil. Aquilo que nos pedem muitos dos cristãos das nossas paróquias é que demos resposta às suas inquietações religiosas: casamentos, batizados, catequese para os filhos, funerais, missa de domingo… Graças a Deus que temos um número crescente de leigos mais conscientes e que assumem na sua vida a missão da Igreja. Esta consciência de ser missionário ainda está longe de ser uma realidade nas nossas comunidades cristãs e em muitos dos nossos leigos.
Ultimamente, verifica-se um maior interesse dos jovens pela missão ‘ad gentes’. Que razão explica e leva os jovens a partir em missão?
Os nossos jovens são generosos e gostam de ser úteis aos outros. No campo da missão a partida de vários jovens para outros países, sobretudo em tempo de férias, é muito positivo. Está em aumento os grupos missionários de jovens voluntários na promoção social e na evangelização. Isto exige, como fazemos no Serviço de Ação Missionária, em Aveiro, um ano de preparação, estudo e oração. Isto verifica-se também no nosso país como é o exemplo da Missão País – universitários nas nossas paróquias.
O mês de Outubro é, habitualmente, dedicado pela Igreja às Missões. Qual o objetivo da Igreja com a celebração deste mês?
A razão de o mês de outubro ser o mês das Missões é porque se celebra o Dia Mundial das Missões, para o qual o Papa publica sempre uma mensagem a incentivar a Igreja a ser missionária e também porque celebramos a festa de Santa Teresinha, padroeira das missões, juntamente com S. Francisco Xavier. O objetivo deste mês é fazer crescer em toda a Igreja, através de várias iniciativas, a consciência missionária da fé cristã. Recordo, a propósito, uma frase de S. João Paulo II: «A fé cresce, dando-se». Aqui podemos inverter o ditado português ao afirmar que no tocante à fé quanto mais formos missionários mais crescemos na fé. Na sua mensagem para o Dia Mundial das Missões o papa Francisco convida-nos a olhar a missão da gentes como uma imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. É facto indissociável na missão a dimensão material e espiritual…
Este ano dedicado à misericórdia tem ajudado a Igreja a refletir nas várias dimensões da misericórdia, sobretudo em sermos «misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso». As obras de misericórdia – corporais e espirituais – estavam bastante esquecidas e este ano tem-nos alertado para a sua vivência. Não há vida cristã sem amor ao próximo. Tal como o amor a Deus, o amor ao próximo constitui a essência do cristianismo.