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Santos Protetores das Obras Missionárias

Isabel Almeida
Isabel Almeida é Membro do Secretariado Diocesano da Educação Cristão (Departamento do Ensino da Igreja nas Escolas) e Professora da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, na Escola Abranches Ferrão.
É Catequista na Paróquia de São Martinho e Secretária do Conselho Pastoral Arciprestal.

 

Neste mês de outubro, mês dedicado às Missões, apresentamos um pouco da vida de dois grandes santos referenciados, cada um com a sua feição, como modelo de missionário, tendo sido proclamados padroeiros das missões em 14 de dezembro de 1927, pelo papa Pio XI. Falamos de Santa Teresinha do Menino Jesus – aquela que o papa Bento XVI, em carta tornada pública a 1 de outubro de 2007, recordou que “sem ter saído do seu Carmelo, (...) viveu, à sua maneira, um autêntico espírito missionário”, isto é, que transformou a vida contemplativa de convento de clausura num horizonte missionário, e S. Francisco Xavier, missionário por presença física nas terras de missão, que andou por terra e por mar a anunciar com a vida a Boa Nova do Evangelho.

Santa Teresinha, padroeira das missões e doutora da Igreja

Thérèse Martin, a nona filha de Louis Martin, um joalheiro, e Zélie Guérin, uma bordadeira, nasceu no dia 2 de janeiro de 1873, em Alençon (França). A perda da mãe, aos 4 anos, e a ida das irmãs para o convento agravaram o seu estado de saúde, mas não lhe roubaram o ânimo e a confiança: “Sou o que Deus pensa de mim!”. Por decisão pessoal, com a autorização do papa Leão XIII, aos 15 anos entrou no mosteiro das carmelitas de Lisieux, adotando o nome de Irmã Teresa do Menino Jesus da Sagrada Face. Exercitou-se de modo singular na humildade, simplicidade e confiança em Deus: virtudes que procurou incutir nas noviças do seu mosteiro. Em 1894, ano da morte de seu pai, descobriu a “pequena via” – um caminho de simplicidade que pode ser seguido por todos, bastando fazer com amor todas as atividades da nossa vida, reconhecendo-nos sempre pequenos e necessitados de Deus.
A saúde frágil e a tuberculose óssea não lhe permitiram uma vida longa. Morreu com 24 anos, a 30 de setembro de 1897, oferecendo a sua vida pela salvação das almas e pela Igreja. Pela sua entrega total ao amor misericordioso de Deus, pela ânsia por “salvar almas”, pelos laços de fraternidade espiritual que cultivou com alguns missionários, foi proclamada Padroeira das Missões, em 1927, pelo papa Pio XI, dois anos depois da sua canonização, no dia 17 de maio de 1925. Em 1997, João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja.


O grande desejo de Teresinha era ter sido missionária “desde a criação do mundo até à consumação dos séculos”. A sua vida, selada na autobiografia manuscrita “História de uma alma”, é uma proposta, não só missionária mas de vida, para todos, um verdadeiro compêndio de santidade. A experiência do Deus misericórdia é o centro de toda a sua vida. Foi na reflexão da parábola do Filho Pródigo, do Pai Misericordioso, que descobriu o Deus-Amor-Misericordioso. Esta descoberta foi o centro da sua espiritualidade e também a perceção do alcance da sua missão na Terra. Para Teresinha, ser santo não é ser perfeito, mas ser filho. Foi mergulhando na misericórdia de Deus que ela trilhou o seu caminho de santidade: aceitando-se frágil, pequena e pobre, abrindo-se continuamente à misericórdia infinita de Deus. Santa Teresinha não só descobriu no coração da Igreja que a sua vocação era o amor, como sabia que o seu coração, e o de todos nós, foi feito para amar, haurindo da palavra de Deus como fonte de vida. É na convergência entre a doutrina e a experiência concreta, entre a verdade e a vida, entre o ensinamento e a prática, que ela resplandece.
Ao fixar-nos na imagem de Santa Teresinha, sobressaem o crucifixo, as rosas, e o hábito com o manto. O crucifixo representa o seu sofrimento e o amor que ela tinha pela Paixão de Cristo, tendo oferecido todo o seu sofrimento pela conversão dos pecadores. As rosas simbolizam uma promessa que fez antes de morrer: “Farei cair uma chuva de rosas sobre o mundo!” Estas rosas simbolizam a sua intercessão por todos aqueles que a ela recorrem em oração. O hábito castanho simboliza a pobreza da Ordem dos carmelitas, a fé firme em Jesus Cristo, e ainda a morte espiritual da pessoa para as coisas deste mundo, querendo apenas os bens celestiais. O véu preto representa os seus votos perpétuos de pobreza, obediência e castidade e a entrega a Cristo.

Santa Teresinha, cuja festa se comemora no dia 1 de outubro, descobriu efetivamente que era o Amor que fazia agir e dava vida e vigor a todos os seus membros, encerrava todas as vocações e animava também os missionários.


São Francisco Xavier, apóstolo do Oriente

Francisco Xavier nasceu no castelo de Xavier, em Navarra (Espanha), a 7 de abril de 1506, quinto filho de João de Jassu e de Maria de Azpilcueta e Xavier. Dado o gosto pelos estudos, aos 19 anos foi estudar Humanidades para o Colégio de Santa Bárbara, em Paris. Formou-se depois em Filosofia e Teologia pela Sorbonne, onde conheceu Inácio de Loyola, que, perante a sua vaidade e ambição, lhe repetia: “Francisco, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Mais tarde, juntos e com mais cinco colegas fundaram “A Companhia de Jesus”.
A 15 de agosto de 1534 fez votos de pobreza e castidade perpétua, na capela de Montmartre. Foi ordenado sacerdote em Roma, no ano de 1537, e dedicou-se a obras de caridade. Perante a preocupação do rei de Portugal, D. João III, com a evangelização da Índia e a dilatação da Fé no Oriente, a 15 de março de 1540, enviado pelo papa Paulo III como resposta de Roma aos apelos do nosso rei, partiu de Roma com destino a Lisboa, onde chegou três meses depois. Chegado a Lisboa, o padre Francisco Xavier refugiou-se no Hospital de Todos-os-Santos, onde se dedicou aos enfermos e ao ensino da doutrina cristã. Em 1541 partiu para o Oriente. Devorado pelo zelo das almas, andando por terra e por mar, evangelizou a Índia e o Japão durante dez anos, convertendo, pela palavra e pelo exemplo, muitos à fé. Afligia-o o comportamento de muitos cristãos. O seu apostolado foi tão fecundo que a Igreja considera que, desde S. Paulo, converteu mais pessoas ao cristianismo do que qualquer outro missionário, sendo conhecido como “Apóstolo do Oriente”.
Gravemente doente, morreu com 46 anos, só e pobre, na noite de 2 para 3 de dezembro de 1552, na ilha de Sancião, às portas da China. Foi beatificado pelo papa Paulo V a 25 de outubro de 1619, e canonizado pelo papa Gregório XV a 12 de março de 1622, em simultâneo com Santo Inácio de Loyola. A sua festa celebra-se a 3 de dezembro.

Imitemos estes dois Santos, para que, na singeleza das nossas vidas, com redobrado espírito missionário, todos possamos descobrir em Cristo a plenitude de vida a que aspiramos.

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