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Seia, o lugar do ad Deum da imagem

Pe. Joaquim Pinheiro

O percurso da imagem peregrina de Nª Sr.ª de Fátima pelas paróquias do arciprestado de Seia teve o seu ponto alto, não no alto da montanha mas no seu sopé, quando a imagem foi levada em procissão da Igreja de Sr.ª do Rosário para a Igreja Matriz de Seia e aí aconteceu o ad Deum. Acorreram milhares de fiéis acompanhados dos seus pastores; as gentes de Seia de forma organizada ou espontânea esmeraram-se nos preparativos da procissão que iria passar junto das suas casas; e um clima de oração, silêncio e respeito caraterizou todo o percurso, apenas perturbado por um objeto ruidoso nos ares.
A fé precisa com alguma frequência destas ocasiões para não ficar demasiado acantonada nos espaços que lhe são mais conaturais. Além disso, a fé, para se manter viva, não é dissociável de algumas formas de expressão; caso contrário, poderá tornar-se um intimismo desencarnado sem capacidade de resistir depois a pressões sociais adversas. Sendo assim, a presença da imagem nestas terras serranas foi com certeza salutar para todos os crentes e devotos de Santa Maria, Mãe de Deus.
No entanto, é um facto que a fé dos cristãos está hoje sob o escrutínio implacável dos tíbios na fé e muito mais dos que já recusaram a herança religiosa dos seus ascendentes. Para os últimos, as manifestações de fé no espaço público são incómodas e quase provocadoras. Esta sensibilidade, relativamente nova, sobretudo no interior do nosso país, conhecido como terra de Santa
Maria, há de mobilizar-nos para um testemunho da fé cada vez mais puro e respeitador dos outros, mas sem que cedamos a custo zero a tutela do espaço público a minorias aguerridas e de retórica questionável.
Neste novo quadro social, a fé dos cristãos deverá ter cada vez mais a marca da consistência entre o que se professa e o que se vive no quotidiano. Os que nos olham com uma certa desconfiança e aversão estarão particularmente atentos a atitudes e comportamentos nossos em contraciclo com o discurso religioso. Assim sendo, é moralmente imperioso que aspiremos a algo mais do que a colocar a visita da imagem nos anais da história senense, e que se deve consubstanciar no legado do nosso património espiritual cristão aos descendentes. Se não o conseguirmos, dentro de algumas décadas apenas seremos recordados como uma geração obsoleta.
O nosso testemunho cristão poderá ser guiado e reforçado pela mensagem de Fátima que, no seu núcleo, apela a atitudes como a fé, a adoração, a esperança e o amor a Deus.
Nestas atitudes não existe nenhum convite à fuga do mundo; pelo contrário, nelas está presente o segredo de chegarmos a ser uma humanidade ancorada na paz, na justiça e na fraternidade.
Sem Deus, entendido como alguém que sempre buscamos e não tanto como um conceito doutrinal, a humanidade fechar-se-á cada vez mais em si mesma e poderá morrer por inanição espiritual.
As aparições marianas, porque continuam a abrir uma janela para Deus (ou para o Infinito), têm um inegável valor para a humanidade.

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