Apreço pelo Sacramento da Reconciliação Misericordiosa

O Padre Manuel Morujão
O Padre Manuel Morujão, foi Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, durante 4 anos.
O Padre Manuel Morujão, ocupa atualmente o cargo de reitor da Comunidade da FacFil/AO, em Braga. Pertence, também, ao Conselho Editorial  do Apostolado da Oração e da Revista.
Pertence ao Conselho de Direção da Revista.

 

Reconhecer a nossa pequenez e fragilidade, abrir os olhos para o nosso estado de pecadores exige humildade. Um remédio é sempre mais difícil de tomar que uma guloseima. Mas só o remédio é que cura. E Cristo quer curar-nos das nossas doenças do pecado e oferecer-nos a sua amizade salvadora.

“Aproximemo-nos, então, com grande confiança, do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar graça para uma ajuda oportuna” (Heb 4,16).
Deus perdoa o homem na sua soberana misericórdia, mas Ele mesmo quis que as pessoas que pertencem a Cristo e à sua Igreja recebam o perdão através dos ministros da Comunidade. Para isso, a Igreja é depositária do “poder das chaves”: “Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. (…) Tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu”. Mas o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. A Igreja não é senhora deste poder das chaves, mas serva do ministério da misericórdia e fica feliz sempre que pode oferecer este dom divino. Às vezes, ouve-se dizer: “Eu confesso-me diretamente a Deus”.

É verdade que Deus sempre te ouve, mas, no sacramento da Penitência, manda um irmão trazer-te o perdão. O sacerdote confessor deve estar ciente de que o irmão ou irmã que se abeira dele procura o perdão e fá-lo como tantas pessoas se abeiravam de Jesus para que as curasse. Os fiéis penitentes têm o direito de encontrar, nos sacerdotes, servidores do perdão de Deus.

O Sacramento da penitência, confissão ou reconciliação deverá ser encarado não apenas numa perspetiva de libertação pessoal do peso da culpa dos próprios pecados. O sacerdote a quem me confesso representa não somente a Deus sumamente misericordioso, mas a toda a comunidade da Igreja. O sacerdote não está em nome pessoal, mas como embaixador de Cristo (in persona Christi) e representante da Igreja (in domine ecclesiae). Porque não ver no sacramento da questão uma questão de justiça social, de responsabilidade comunitária? É que, recebendo o perdão amorosíssimo de Deus, um perdão de qualidade suma, assim poderá oferecer também aos outros gestos de paz e perdão, amor e reconciliação de qualidade divina.

Todas as ocasiões são oportunas e boas para aproveitarmos os dons de Deus e nos abeirarmos da misericórdia que Ele nos quer oferecer, especialmente pelo sacramento da reconciliação. O seu infinito amor por nós não permite que Se canse ou desista de nos fazer felizes. Por isso, o Papa Francisco, especial arauto da misericórdia divina, assim nos exorta: “Com convicção, ponhamos novamente no centro o sacramento da Reconciliação, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia. Será, para cada penitente, fonte de verdadeira paz interior.

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