Especial Ano da Misericórdia

Especial Ano da Misericórdia (13)

«Confissão não é tribunal de condenação, mas experiência de perdão e misericórdia»

Antes de tudo, o protagonista do ministério da Reconciliação é o Espírito Santo. O perdão que o sacramento confere é a vida nova transmitida pelo Senhor Ressuscitado por meio do seu Espírito: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles a quem não os perdoardes, não serão perdoados» (João 20, 22-23).

Por isso, vós sois chamados a ser sempre «homens do Espírito Santo», testemunhas e anunciadores, felizes e fortes, da ressurreição do Senhor. Este testemunho lê-se no rosto, sente-se na voz do sacerdote que administra com fé e com «unção» o sacramento da Reconciliação. Ele acolhe os penitentes não com a atitude de um juiz, nem com a de um simples amigo, mas com a caridade de Deus, com o amor de um pai que vê regressar o filho e vai ao seu encontro, do pastor que reencontrou a ovelha perdida.

O coração do sacerdote é um coração que sabe comover-se, não por sentimentalismo por mera emotividade, mas pelas «entranhas de misericórdia» do Senhor. Se é verdade que a tradição nos indica o duplo papel de médico e juiz para os confessores, nunca esqueçamos que como médico é chamado a curar e como juiz a absolver.

Segundo aspeto: se a Reconciliação transmite a vida nova do Ressuscitado e renova a graça baptismal, então a vossa tarefa é dá-la generosamente aos irmãos. Dar esta graça. Um sacerdote que não cuida desta parte do seu ministério, seja na quantidade de tempo dedicado, seja na qualidade espiritual, é um pastor que não toma cuidado das ovelhas que se perderam; é como um pai que se esquece do filho perdido e negligencia esperar por ele.

A misericórdia é o coração do Evangelho! Não esqueçais isto: a misericórdia é o coração do Evangelho! É a boa notícia que Deus nos ama, que ama sempre o homem pecador, e com este amor atrai-o a si e convida-o à conversão. Não esqueçamos que os fiéis consideram difícil aproximar-se do sacramento, seja por razões práticas, seja pela natural dificuldade de confessarem os próprios pecados a outro homem. Por este motivo, é preciso trabalhar muito sobre nós próprios, sobre a nossa humildade, para nunca ser obstáculo, mas favorecer sempre a aproximação à misericórdia e ao perdão.

Muitas vezes sucede que uma pessoa vem e diz: «Não me confesso há muitos anos, tive este problema, deixei a Confissão porque encontrei um sacerdote que me disse isto», e vê-se a imprudência, a falta de amor pastoral naquilo que a pessoa conta. E afasta-se por causa de uma má experiência na Confissão. Se há uma atitude de pai, que vem da bondade de Deus, isto nunca mais acontecerá.

E é preciso evitar os dois extremos opostos: o rigorismo e o laxismo. Nenhum dos dois faz bem, porque na realidade não cuidam da pessoa do penitente. Ao invés, a misericórdia escuta verdadeiramente com o coração de Deus e quer acompanhar a alma no caminho da reconciliação. A Confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e de misericórdia!

Por fim, todos conhecemos as dificuldades que muitas vezes a Confissão encontra. São muitas as razões, históricas ou espirituais. Todavia, sabemos que o Senhor quis fazer este imenso dom à Igreja, oferecendo aos batizados a segurança do perdão do Pai. É isto, é a segurança do perdão do Pai.

Por isso, é muito importante que, em todas as dioceses e nas comunidades paroquiais, se cuide particularmente da celebração deste sacramento de perdão e de salvação. É bom que em cada paróquia os fiéis saibam quando podem encontrar os sacerdotes disponíveis: quando existe a fidelidade, veem-se os frutos. Isto vale de modo particular para as igrejas confiadas às comunidades religiosas, que podem assegurar uma presença constante de confessores.

À Virgem, Mãe de Misericórdia, confiamos o ministério dos sacerdotes, e cada comunidade cristã, para que compreenda sempre mais o valor do sacramento da Penitência.

Papa Francisco
Discurso aos participantes no curso promovido pela Penitenciária Apostólica

O início do Ano Jubilar, ou Ano da Misericórdia aproxima-se, de modo que, considero ser de extrema importância refletir sobre o sentido da palavra misericórdia. Eu entendo misericórdia por perdão, piedade ou salvação.

No entanto quando digo isto não me refiro só a perdoar os outros, antes, temos ainda de nos perdoar a nós próprios pois esse é o único modo de podermos perdoar o próximo.

Durante este ano de vivência da misericórdia de Deus, penso que devíamos refletir na nossa própria vida tendo como objetivo melhorar a nossa capacidade de ter misericórdia para com nós próprios e para com os outros, mas não esquecer que a misericórdia de Deus é infinita para connosco.

Concluo assim que se aproxima um ano de reflexão profunda em que devemos louvar Deus pela sua misericórdia e fazer de tudo para nos tornarmos melhores a nós e aos outros.

Rodrigo Cruz, 11º Ano

 

A Misericórdia é um termo amplo que se refere a benevolência, perdão e bondade numa variedade de contextos éticos, religiosos, sociais e legais. Este termo deriva do latim através da junção de duas palavras, miseratio (compaixão) e cordis (coração). Assim, o sentido literal de misericórdia pode ser entendido como “coração compadecido”.

Nos contextos social e legal, a misericórdia refere-se, por um lado, ao comportamento compassivo de quem está no poder, por outro, ao humanitarismo, por exemplo, uma missão de forma a ajudar as vítimas da guerra.

No Antigo Testamento, Deus é considerado misericordioso e compassivo. A ênfase na misericórdia ocorre em numerosas partes do Novo Testamento, como nas “Bem-aventuranças” em Mateus 5,7, “Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia”, na Parábola do Bom Samaritano, em Lucas 15, 11-32, em que o pai do filho que partiu teve compaixão ao vê-lo, tornando-se este tema muito importante sobre a extensão da misericórdia divina para os outros.

As Obras de Misericórdia são ações e práticas que o Cristianismo espera que todos os cristãos executem. A prática é atribuída à Igreja Católica como um ato de penitência e de caridade. Estas obras são distribuídas em duas categorias, com sete elementos cada, as Obras de Misericórdia Corporais, que dizem respeito às necessidades materiais do outro: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nús, dar pousada aos peregrinos, visitar os doentes, visitar os presos e enterrar os mortos; e as Obras da Misericórdia Espirituais, que dizem respeito ao alívio do sofrimento espiritual: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo e rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos.

Por exemplo, a Santa Casa de Misericórdia é uma irmandade que tem como missão o tratamento e sustento a enfermos e inválidos, além de dar assistência a recém-nascidos abandonados na instituição.

Esta instituição tem como base as Obras da Misericórdia. Atualmente, existem várias Santas Casas da Misericórdia.

Por tudo isto, entende-se que os atos de misericórdia que se devem executar atualmente, correspondem aos que se executavam antigamente, tal como disse Santo Agostinho, que chamou a misericórdia “tão antiga e tão nova”.

Daniela Santos, 11º Ano

 

“Quem pratica o bem, tem a misericórdia de Deus sem Limites”

Na minha opinião, a Misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia, que se traduz na capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, no fundo, é uma aproximação aos sentimentos de outra pessoa, é um ato de solidariedade.

A Misericórdia Divina é entendida como a libertação do julgamento extraterreno, isto é, é pedir a Ele (Deus) que suspenda o julgamento que merecemos, uma vez que Ele (Deus) perdoa os pecados apesar das faltas cometidas pelos pecadores. O Salmo 51, 1-2 exemplifica um apelo de misericórdia Divina, David clama: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado."

No entanto, a Misericórdia de Deus estende-se a todos, aos crentes e não crentes desde que pratiquem o bem. O Papa Francisco afirma, numa carta enviada ao jornal La Repubblica, que “a misericórdia de Deus não tem limites se Ele for abordado com um coração sincero e arrependido, a questão para quem não acredita em Deus é a obediência à sua própria consciência”.

Assim, a consciência de cada um molda os seus comportamentos. Quem praticar "o bem", mesmo não tendo fé, beneficia da "misericórdia sem limites" de Deus.

Mariana Tavares, 12ºano

 

A proposta do Papa Francisco deseja ser para os cristãos um modelo de vida, à imagem de Jesus. E os seus valores evangélicos, como o amor, a ajuda, a partilha e o serviço, são a força e a energia que podem influenciar de forma decisiva o rumo de vida de cada um de nós!

Para viver melhor o Ano da Misericórdia que o Papa propôs, teremos de mudar as nossas atitudes, os nossos gestos e sermos mais atenciosos, mais dedicados às causas humanas e abandonar os egoísmos, as vaidades que preenchem o nosso mundo.

No fundo, a Misericórdia de Deus tem de estar assente na evangelização e melhoria de nós mesmos e do mundo.

João André, 7º Ano

É um costume que nos vem da Idade Média passar por uma determinada porta, como sinal visível do desejo de se inserir mais profundamente na vida da Igreja e beneficiar da graça que a move ou do Espírito Santo que a conduz.

Para mais, a porta é um símbolo muito expressivo. Se, por um lado, ela permite a entrada, como que a demonstrar o desejo de o crente se inserir mais na comunidade que aí celebra a sua vida de fé, também é a abertura por onde se sai para o mundo, ambiente onde o cristão tece habitualmente a sua existência e que deve fermentar com a verdade do Evangelho.

Quando nos concentrarmos para abrir a porta santa (igreja da Memória), abrirmos e entrarmos pela porta, queremos tomar consciência viva desta mesma realidade: os cristãos presentes sabem bem conciliar a vivência da fé com uma específica forma de atuação no mundo. Por isso, entram no espaço sagrado, como que expressão visível do contato com o divino; mas voltam ao mundo, lugar onde a fé modela o comportamento humano e eleva, em humanismo, a história e a cultura.

Devido aos notórios exageros históricos, com consequências dramáticas para a unidade da Igreja, atualmente, não é fácil mostrar em que consiste a indulgência.

Não obstante, continua a ser doutrina católica, agora reafirmada pelo Papa Francisco no nº 22 da referida Bula (Misericordiae vultus).

De forma simples, poder-se-ia dizer que a indulgência consiste na receção de uma especial graça concedida pelo Papa enquanto mediador entre o Céu e a terra (o conhecido «poder das chaves») ou dispensador do tesouro da graça da Igreja. Essa graça não se pode ver como uma espécie de automatismo que santifica a pessoa e a liberta do peso do pecado «instantaneamente», mas como «marco» de renovação da sua vida espiritual e eclesial. Por isso, inerentes à indulgência, estiveram sempre a confissão e a comunhão, dois sacramentos que exprimem bem e operam a renúncia ao mal e a adesão a Jesus Cristo.

Como o Papa quer associar a ele a decisão dos bispos do mundo inteiro de regular a prática da indulgência, na igreja da Memória, concedo a indulgência plenária no dia da abertura da porta santa (10 de dezembro), durante todo o tempo da Quaresma, tríduo pascal e semana da Páscoa (de 10 de fevereiro a 3 de abril, dia da Divina Misericórdia) e na primeira Quinta-feira de cada mês, dia em que o bispo ou o vigário-geral presidirão à Eucaristia.

As condições para lucrar a indulgência são as habituais: confessar-se (pode ser com alguns dias de antecedência), participar na Eucaristia e comungar e fazer alguma oração ou obra de caridade pelas intenções do Santo Padre, do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança e pela Igreja.

Já se descrevia, no Antigo Testamento, a natureza de Deus como paciente e misericordioso. A sua omnipotência se manifesta na eterna Misericórdia.

O Senhor “libertará” os prisioneiros, ampara os fracos, cura os enfermos, anima os prostrados e é o refúgio dos oprimidos. Deus manifesta-se na ternura, na compaixão, no perdão e na indulgência através dos seus desígnios que coloca nos que acolhe para darem testemunho de si. O Papa Francisco, neste Ano Santo da Misericórdia, que agora se inicia, exorta-nos a ser Misericordiosos como o Pai.

Aos Cristãos caberá responder ao apelo do Santo Padre, enfrentando a indiferença humana, prosseguindo o rumo que leve à cura das feridas do Ser Humano, sejam físicas ou morais.

A sociedade humana, hoje, navega num oceano de tormentas, cujo horizonte é, além de negro, cheio de ódio, ira, injustiça e impera o crime e a vingança.
A esperança desta “nau”, pouco confiante em encontrar bom porto, alicerça-se numa igreja, capaz de a conduzir a olhar o vizinho, seja ele humilde, fraco, abandonado ou doente, mas como ser humano que é, perante o Deus Misericordioso, merecedor de compaixão e do perdão.

É missão do Cristão dar testemunho de Cristo, que foi enviado pelo Pai para divulgar a sua vontade e a sua voz.

Chegámos assim ao apelo que nos é proposto. Sermos anunciadores da alegria de um novo caminho que, em vez do Mar encapelado e enfurecido pela ira, vaidade, ódio, vingança e injustiça que a sociedade atual trilha com tanta naturalidade, opte pela tolerância, alegria, humildade e dê a mão, com sorriso rasgado, ao semelhante que vive só, esquecido e, em silêncio, sofre, angustiado e sem esperança.

Na nossa fragilidade chamemos a nós quem nos dá motivo para nos tornarmos fortes e espiritualmente ricos. E que belo exemplo de vida de missão nos dão as Misericórdias e os seus agentes…

O Santo Padre foca, no Jubileu da Misericórdia, as suas 14 obras e para elas chama a nossa atenção. Prestemos-lha então.

Alcides Henriques

A paróquia de Santa Marinha organizou no passado dia 13 de novembro um Jantar Conferência dedicado ao tema «Sede misericordiosos» que contou com a intervenção e participação do bispo da diocese, D. Manuel Felício.

A reunião à volta da mesa serviu de pretexto para o bispo diocesano apresentar o Jubileu da Misericórdia, proclamado pelo papa Francisco para se realizar de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016, como momento favorável para «fazer da igreja cada vez mais o rosto visível da misericórdia» do Pai.
No salão da casa paroquial, D. Manuel Felício, com a participação de cerca de meia centena de convivas, sugeriu a contemplação da Misericórdia de Deus como «estilo de vida de cada um».

O bispo da diocese explicou que atravessar simbolicamente a «Porta da Misericórdia», determinada pelo papa para as igrejas jubilares, significará «assumir o compromisso, de celebrar a misericórdia, de repensar a forma de por em prática as diferentes obras de misericórdia corporais e espirituais».

Por outro lado, «peregrinar a lugares jubilares determinados, com possibilidade de lucrar a indulgência respetiva, lembrar-nos-á a nossa condição de peregrinos, simbolizando a caminhada que cada pessoa realiza na terra, rumando à meta do Reino de Deus» frisou.

D. Manuel Felício anunciou ainda que, na diocese, a intenção é associar o Jubileu Extraordinário da Misericórdia ao programa pastoral que este ano se projeta centrado no Concilio Vaticano II e as orientações litúrgicas dele recebidas, sobretudo através da constituição sobre a Sagrada Liturgia.

D. Manuel Felício aludiu às celebrações jubilares já divulgadas e pediu a participação de todos para que ninguém se sinta excluído daquilo que significa celebrar a Misericórdia de Deus.