Jesus despede-se dos apóstolos, parte ao encontro do Pai e deixa-lhes este mandato: “Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e ensinando-os a guardar tudo o que Eu vos mandei” (Mt. 28,19-20).
Nós somos discípulos de Cristo e essa é a grande razão da nossa alegria. Como aos apóstolos da primeira hora, Jesus convida-nos para a missão de fazer novos discípulos. O batismo e o acompanhamento de todos os batizados na Igreja, para que eles saibam viver a sério (guardar) tudo o que Jesus ensinou, completa o mandato de Cristo.
Este é o processo da Fé que nós temos a responsabilidade de viver, da melhor maneira, nas nossas comunidades. Para nos centrarmos no processo da Fé e nas formas como ele está a ser cumprido nas nossas comunidades, ao longo deste ano pastoral, vamos empenhar-nos na Assembleia Diocesana. Com ela queremos motivar-nos mutuamente para a “doce e reconfortante alegria de evangelizar” (cf. Ev. Gaud. 9 e 10).
Estamos em preparação próxima para Assembleia Diocesana, que se realizará, em três sessões, nos meses de abril (29), maio (20) e junho (17).
Com esta Assembleia de representantes de toda a Diocese da Guarda, a qual está a ser preparada desde há três anos, pretendemos responder a perguntas fundamentais, como as seguintes.
Que modelo de Igreja estamos a viver na nossa vida de Fé e nas nossas comunidades? E como vamos ajustar-nos cada vez mais ao modelo de Igreja que os Evangelhos propõem e o Concílio Vaticano II concretizou?
Outro conjunto de perguntas, a que pretendemos responder, nesta assembleia, vem da forma como estamos a transmitir a Fé, sobretudo às novas gerações. Perguntamo-nos como havemos de fazer das nossas comunidades verdadeiras escolas de Fé e como havemos de testemunhar aos que se encontram mais afastados da vida da Igreja os valores humanizantes que o Evangelho propõe, as comunidades devem viver e dos quais a sociedade em geral necessita.
Há um terceiro conjunto de perguntas para as quais a assembleia também vai procurar encontrar caminhos de resposta. São perguntas relacionadas com a celebração da Fé. Desde as assembleias dominicais, às celebrações de baptizados, casamentos e funerais, passando por festas de padroeiros e santos populares, além de outras realidades afins, como peregrinações, a valorização de santuários ou mesmo das devoções populares, estamos perante realidades do quotidiano da vida da Igreja sobre as quais os fiéis cristãos, mas também os menos comprometidos com a vida diária das nossas comunidades precisam de esclarecimentos e orientações para que tudo possa contribuir para o bem das pessoas e o fortalecimento da vida comunitária.
Por sua vez, a organização da vida interna das comunidades e a relação entre elas, assim como orientações para os diferentes ministérios que as servem, incluindo o ministério do pároco, reservado aos sacerdotes, precisam de critérios constantemente repensados para podermos responder às exigências da Fé e às mudanças sociais, que, como diariamente sentimos, está a ser vertiginosa.
Quisemos que esta assembleia fosse o ponto de chegada de um caminho feito em conjunto, caminho de reflexão e participação alargada a todos os fiéis, principalmente aos que desempenham algum ministério e também incluindo contributos de pessoas menos integradas na vida da Igreja. Assim procurámos dar resposta ao apelo do Papa Francisco, na exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, para que os fiéis e as comunidades da Fé façam caminhada sinodal.
Vamos procurar dar a melhor resposta a esta interpelação do Papa Francisco, ao longo do ano pastoral, sobretudo na nossa Assembleia Diocesana, que nos sirva de guia para exercermos a nossa responsabilidade na procura de novos caminhos de vivermos a Fé, a testemunharmos com verdadeira alegria no meio do mundo e, com a necessária criatividade de métodos e de linguagem, a transmitirmos sobretudo às novas gerações.
Com a ajuda de Deus, a nossa humildade e a nossa persistência, vamos procurar descobrir juntos, nas três sessões desta assembleia, os caminhos da Fé para o futuro próximo da nossa Diocese e de todas as suas comunidades.
