O Vaticano publicou o documento preparatório para o Sínodo dos Jovens, que será realizado em outubro de 2018. A reunião de bispos de todo o mundo terá como temática central a juventude: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O documento está dividido em três partes: “Os jovens no mundo de hoje”, “Fé, discernimento, vocação” e “Ação pastoral”. Ele é direcionado ao Sínodo dos Bispos, ao Conselho das Igrejas Orientais Católicas, às Conferências Episcopais, à Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais.
Assim como aconteceu no Sínodo da Família, também desta vez é proposto um questionário para recolher informações sobre a realidade da juventude em cada parte do mundo. Inclusive, há perguntas específicas divididas por continente, para ajudar nesse processo de perceção.
Também está prevista uma consulta aos jovens através de um site na internet, com um questionário sobre suas expectativas e suas vidas. “As respostas aos dois questionários constituirão a base para a redação do Documento de Trabalho, o Instrumentum laboris, que será o pronto de referência para a discussão dos padres sinodais”, refere o documento.
Segundo secretário-geral do Sínodo, Cardeal Lorenzo Baldisseri, esta proposta está em continuidade com o caminho que a Igreja está percorrendo sob a guia do magistério do Papa Francisco: “A centralidade da alegria e do amor, várias vezes destacada no texto, refere-se claramente à Evangelii gaudium e à Amoris laetitia. Não faltam as referências também à Laudato sì, à Lumen fidei e ao ensinamento do Papa Bento”. Após os Sínodos dos Bispos sobre a nova evangelização e a família, o documento explica que a Igreja decidiu se perguntar como acompanhar os jovens para que reconheçam e acolham o chamado ao amor e à vida em plenitude. A Igreja também quer pedir a ajuda dos jovens para identificar o modo mais eficaz de anunciar o Evangelho.
“Através dos jovens, a Igreja poderá perceber a voz do Senhor que ressoa também hoje (…) Ouvindo suas aspirações, podemos vislumbrar o mundo de amanhã que vem ao nosso encontro e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer”, informa o texto.
Essa será a 15º Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. A última foi realizada em 2014, na segunda etapa do Sínodo da Família, que teve suas conclusões expressas na exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, do Papa Francisco, sobre o amor na família.
A velocidade dos processos de mudança e de transformação é a principal particularidade que caracteriza as sociedades e as culturas contemporâneas (cf. Laudato si', 18). A combinação entre elevada complexidade e rápida mudança faz com que nos encontremos num contexto de fluidez e de incerteza jamais experimentado precedentemente: é uma realidade que devemos aceitar sem julgar a priori, se se trata de um problema ou de uma oportunidade. Esta situação exige que se assuma um olhar integral e que se adquira a capacidade de programar a longo prazo, prestando atenção à sustentabilidade e às consequências das escolhas de hoje em tempos e lugares remotos.
Refere o Papa: “vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?
Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).
Na Carta dirigida aos jovens, o Papa recorda as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.
A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), para não se contentar com uma vida medíocre, mas crescer na amizade com o Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui gostaria de me deter, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma sincera conversão.
A parábola começa com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se levantar, jaz à porta do rico e come as migalhas que caem da sua mesa, tem o corpo coberto de chagas que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio e o homem é degradado e humilhado.
A cena revela-se ainda mais dramática, se se considera que o pobre se chama Lázaro: um nome carregado de promessas, que literalmente significa «Deus ajuda». Assim, este personagem não é anónimo, tem traços muito precisos e apresenta-se como um indivíduo a quem podemos associar uma história pessoal. Enquanto que para o rico ele é invisível, torna-se conhecido e quase familiar para nós, torna-se um rosto; e, como tal, um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja o nosso vizinho seja o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.
A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que se encontra o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas que usa, de um luxo exagerado. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso estava reservada para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, até porque era exibida todos os dias de modo habitual: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).
O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exortação apostólica Evangelii gaudium, 55). Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.
Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico torna-o vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência mascara o vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).
O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba.
O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu olhar. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.
Olhando este personagem, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).
O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda-nos a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no além. Os dois personagens descobrem subitamente que «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).
Também o nosso olhar se abre para o além, onde o rico tem um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se tinha dito da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.
Só no meio dos tormentos do além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No além restabelece-se uma certa equidade e os males da vida são contrabalançados pelo bem.
A parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E face à objeção do rico acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).
Deste modo se manifesta o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e de orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.
Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos no encontro com Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.
João António Pinheiro Teixeira, nascido a 25 de Abril de 1965 em São João da Fontoura, é sacerdote diocesano de Lamego e professor de Teologia dogmática.1. Como sabemos, a fundação da Igreja não é instantânea, é progressiva; não é formal, é processual. Ou seja, não resulta de um acto formal, mas de um longo processo que remonta ao princípio do mundo. Como reconhece o Concílio Vaticano II, «desde a origem do mundo, a Igreja foi prefigurada e admiravelmente preparada». De resto, já em plena antiguidade, escritores como Hermas notavam que «o mundo foi criado em ordem à Igreja».
Todo o Antigo Testamento é uma longa e contínua preparação para o nascimento da Igreja: «A preparação longínqua da reunião do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem o seu início com a eleição de Israel como povo de Deus».
2. A vida e a missão de Cristo constituem o nascimento da Igreja. De que modo? Como observa o Concílio, «o Senhor Jesus deu origem a Sua Igreja pregando a Boa Nova».
A Igreja nasceu «do dom total de Cristo para nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz». O nascimento da Igreja é significado pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado. Retomando uma máxima dos primeiros tempos, o Concílio recorda que «foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja».
E eis que chegamos ao Pentecostes: «Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para cumprir na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar continuamente a Igreja». Foi então que «a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação».
Concretizando, a Igreja nasce em Jesus e inicia a sua actividade com a vinda do Espírito enviado por Jesus. Não esqueçamos que, antes de morrer, Ele tinha garantido aos discípulos que «o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas, e recordar-vos-á tudo quanto vos tenho dito»(Jo 14, 26).
4. A Igreja é, por conseguinte, o templo e o tempo do Espírito Santo. Como bem disse Sto. Ireneu de Lyon, o «Filho e o Espírito são como que “as duas mãos” pelas quais o Pai nos toca». Pelo Filho somos tocados de uma maneira mais visível, pelo Espírito Santo somos tocados de uma maneira mais invisível, o que não quer dizer que seja menos real.
Houve quem, como o célebre Joaquim de Fiori, intentasse estratificar a presença das pessoas divinas no mundo. Segundo ele, o Antigo Testamento era o tempo do Pai, o Novo Testamento era o tempo do Filho e a Igreja seria o tempo do Espírito Santo. Não foi, porém, aceite esta doutrina. Na Igreja, está efectivamente o Espírito Santo e, como não podia deixar de ser, estão também o Filho e o Pai. É na unidade do Espírito Santo que, como proclamamos na doxologia que finaliza a Oração Eucarística, chegamos ao Pai através do Filho, Jesus Cristo.
5. A Igreja não é, portanto, uma mera «continuadora» de Cristo. Note-se, a este propósito, que costumamos falar em «sucessores dos apóstolos», mas não em «sucessores de Cristo». Só há sucessão de quem já não está presente. Os apóstolos têm sucessores porque já não estão presentes. Mas Jesus continua presente. Jesus continua presente no mundo precisamente através da Sua Igreja. Esta, a Igreja, é a nova presença de Cristo, o novo corpo de Cristo, não uma sucessora de Cristo.
É por isso que Sto. Agostinho fala do «Cristo total» («Christus totus»), que tem Jesus como cabeça e cada um de nós como membros do Seu corpo. S. Paulo sustenta que cada um de nós faz parte do corpo de Cristo (cf. 1Cor 12, 27). O corpo é único: o corpo de Cristo. Os seus membros são muitos: todos nós, os baptizados.
6. Todos os membros deste corpo são diferentes: legítima e desejavelmente diferentes, aliás. A unidade entre eles é assegurada por Deus, por Cristo, pelo Espírito e pelo Baptismo. É S. Paulo quem no-lo recorda ao dizer que «há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo, um só Deus e Pai»(Ef 4, 5) e «um só Espírito»(1Cor 12, 13). Somos muitos e, sendo muitos, estamos unidos não em função das nossas afinidades, mas em razão da presença do mesmo Deus que nos une.
Isto significa que, quando não estamos unidos, é porque não estamos a ser verdadeiramente fiéis ao nosso Baptismo, ao Espírito que nele recebemos e a Jesus Cristo que nos conduz para a unidade. Com efeito, é Cristo que nos une e é no Seu Espírito que nos devemos deixar re+unir cada vez mais.
7. Não é por acaso que Sto. Hilário de Poitiers considera o Espírito Santo como o «laço» que une o Pai e o Filho. É neste sentido que o mesmo Espírito Santo nos une ao Pai e ao Filho e nos une uns aos outros. É, pois, o Espírito Santo que nos «enlaça», que nos «entrelaça». No mesmo Espírito, nunca estamos «deslaçados». No mesmo Espírito, estamos todos «entrelaçados» uns nos outros.
É o Espírito que inspira, é o Espírito que nos inspira para a missão, para os múltiplos — e surpreendentes — serviços da missão. Estes serviços são chamados «carismas», uma vez que resultam de dons suscitados pelo Espírito Santo. S. Paulo garante que os trabalhos da missão são muitos, «mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos» (1Cor 12, 6) com vista «ao bem comum» (1Cor 12, 7). A missão começa sempre na oração porque é na oração que se acolhe o sopro do Espírito. O grande empreendimento missionário de S. Paulo foi desencadeado por uma forte experiência de oração (cf. Act 13, 1-3).
8. No dia de Pentecostes, os apóstolos estavam seguramente em oração (cf. Act 2, 1). O Espírito vem para animar e fortalecer os apóstolos. Não é em vão, de resto, que Espírito também é entendido, frequentemente, como sinónimo de ânimo, de força. O Espírito desce «por um rumor semelhante a forte rajada de vento»(Act 2, 2). O Espírito é, muitas vezes, apresentado como «ruah», como vento: às vezes, em forma de brisa, desta vez em forma de rajada.
Também hoje, precisamos de fortes rajadas de Espírito. Deixemos que o Espírito, também hoje, deposite em nós «línguas de fogo»(Act 2, 3) pelas quais possamos aquecer e iluminar as vidas de toda a gente. Precisamos, hoje também, de cristãos «cheios do Espírito Santo»(Act 2, 4) que não se cansem de anunciar «as maravilhas de Deus»(Act 2, 11). Precisamos, hoje também, de cristãos que exalem o perfume do Espírito e propaguem o sabor do Espírito. Precisamos, hoje também, de cristãos de escuta, de espera e de esperança, que ofereçam ao mundo as incontáveis surpresas de Deus.
9. A Igreja não é propriedade nossa. Já Sto. Inácio de Antioquia notava que o Espírito Santo é o «bispo invisível» que conduz a Igreja. E é por Ele que o impossível se torna possível. Mais do que competência própria do que precisamos é de fidelidade à iniciativa do Espírito de Deus. É que, como notou Atenágoras, «sem o Espírito Santo, Deus fica longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um simples poder, a missão transforma-se em propaganda, o culto parece uma velharia e o agir cristão uma coisa de escravos». Pelo contrário, «no Espírito Santo, Cristo torna-Se presente, o Evangelho faz-se poder e vida, a Igreja realiza a comunhão trinitária e a autoridade transforma-se em serviço que liberta».
Para que seja o Espírito a agir em nós, deixemo-nos habitar pelos Seus dons: pelo dom da fortaleza, pelo dom da sabedoria, pelo dom da ciência, pelo dom do conselho, pelo dom do entendimento, pelo dom da piedade e pelo dom do temor de Deus. Não fujamos da realidade do mundo, mas procuremos olhá-la e transformá-la a partir do Espírito Santo. O espiritual não é o que se opõe ao real. O espiritual é o que anima e transforma o real. É o Espírito Santo que nos transforma e nos renova. No Espírito Santo, nunca envelhecemos, mesmo que os anos passem. O Espírito é a novidade que torna tudo novo. O Espírito Santo é este vento que abana e nunca abala. Quem está no Espírito Santo nunca fica no chão mesmo que tenha caído. Escutemos a voz do Espírito. Porque o Espírito está sempre a soprar. O Espírito está sempre a surpreender-nos!
O Pe. José António Dionísio Sousa, diretor do Secretariado Diocesano da Liturgia – Guarda. É Responsável pelas Comissões de Pastoral Litúrgica e Música Sacra.
Pe. Joaquim Cardoso Pinheiro
O Cónego Manuel Alberto Pereira Matos, é Vigário geral da Diocese da Guarda e diretor da Escola Teológica de Leigos.
Carlos Manuel Pedrosa Cabecinhas, nasceu em Leiria, a 19 de outubro de 1970. Entrou para o Seminário de Leiria em outubro de 1983 e foi Ordenado a 7 de maio de 1995.
Em finais de 2010, acolhendo um explícito desafio do Papa Bento XVI, o Santuário de Fátima iniciou um itinerário celebrativo do centenário das Aparições. Chegamos, agora, ao sétimo ciclo, que corresponde ao auge da celebração do Centenário, ao Ano Jubilar, aberto solenemente, em 27 de Novembro de 2016 e que se prolongará até 26 de novembro de 2017.
O Ano Jubilar é um especial ano de graça. Os peregrinos que, durante este período, visitarem o Santuário, nele participarem em alguma celebração ou rezarem, poderão receber a Indulgência de Deus, expressão da Sua misericórdia para connosco.
O Ano Jubilar é um ano de compromisso com Deus e com os irmãos, acolhendo os desafios da mensagem de Fátima e do exemplo de vida dos Pastorinhos. O Ano Jubilar é um ano festivo. Por este motivo, serão primeiramente as celebrações a marcar o ritmo da vivência deste Jubileu do Primeiro Centenário das Aparições.
Ao celebrarmos o grande acontecimento de Fátima, damos graças a Deus por todas as bênçãos que Ele derrama sobre nós em Fátima, através da mensagem transmitida neste lugar e dos seus protagonistas.
Para destacar o carácter festivo deste Ano Jubilar, propomos alguns sinais e gestos aos peregrinos: - a travessia do Pórtico do Jubileu, Inspirado no arco festivo que, em 1917 assinalou o lugar das aparições, e sob o qual foram fotografados Francisco, Jacinta e Lúcia. O Pórtico Jubilar pretende assinalar o Centenário e marcar a ritualidade da peregrinação a este Santuário ao longo do ano do Centenário. O pórtico evoca a porta santa ou porta jubilar: é passagem que nos permite aceder ao Santuário e às graças que Deus aí nos dispensa. – Profundamente ligado ao Pórtico Jubilar está o Itinerário Jubilar do Peregrino: um itinerário espiritual; uma proposta orante feita aos peregrinos. Nessa proposta de oração na visita aos lugares mais significativos do Santuário, o percurso começa no Pórtico Jubilar e é aí que os peregrinos são convidados a recitar o símbolo dos apóstolos e, em atitude batismal, a reafirmar as verdades da fé cristã. - Em terceiro lugar, destaco ainda a Oração Jubilar de Consagração a Nossa Senhora. Trata-se da oração oficial deste Jubileu, que se rezará no final de cada celebração, ao longo deste ano festivo. É uma oração de entrega a Maria para, com ela, nos consagrarmos a Deus.
Como os outros ciclos deste septenário, também o Ano Jubilar tem um tema próprio. O itinerário temático no seu conjunto tem como frase inspiradora e tema geral: “O meu Coração Imaculado conduzir-vos-á até Deus”.
Entendemos dar especial destaque a esse tema durante o último ano deste septenário, na formulação por extenso da promessa de Nossa Senhora à vidente Lúcia, na aparição de 13 de junho: “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.
Como nos anteriores seis ciclos do septenário, o ponto de partida do tema deste ano pastoral é uma aparição: a aparição de outubro de 1917. Nessa ocasião, como tinha prometido aos Pastorinhos, Nossa Senhora “apresenta-se”, diz quem é: “Sou a Senhora do Rosário”.
Partindo desta frase inspiradora, somos convidados, ao longo deste ano pastoral, a refletir sobre o lugar de Maria na história da salvação, a reconhecer que “o Senhor fez maravilhas” em Maria e através dela, a deixarmo-nos conduzir por ela até Deus e a darmos graças a Deus pelo dom das aparições de Nossa Senhora em Fátima.
Na aparição de outubro, Nossa Senhora apresenta-se como a “Senhora do Rosário”, mostra-se revestida de luz e espargindo a luz de Deus revela-nos o mistério do seu Imaculado Coração.
No espaço de 3 meses as nossas Comunidades têm a oportunidade de viver acontecimentos / eventos únicos em toda a Diocese.
Jesus despede-se dos apóstolos, parte ao encontro do Pai e deixa-lhes este mandato: “Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e ensinando-os a guardar tudo o que Eu vos mandei” (Mt. 28,19-20).
Nós somos discípulos de Cristo e essa é a grande razão da nossa alegria. Como aos apóstolos da primeira hora, Jesus convida-nos para a missão de fazer novos discípulos. O batismo e o acompanhamento de todos os batizados na Igreja, para que eles saibam viver a sério (guardar) tudo o que Jesus ensinou, completa o mandato de Cristo.
Este é o processo da Fé que nós temos a responsabilidade de viver, da melhor maneira, nas nossas comunidades. Para nos centrarmos no processo da Fé e nas formas como ele está a ser cumprido nas nossas comunidades, ao longo deste ano pastoral, vamos empenhar-nos na Assembleia Diocesana. Com ela queremos motivar-nos mutuamente para a “doce e reconfortante alegria de evangelizar” (cf. Ev. Gaud. 9 e 10).
Estamos em preparação próxima para Assembleia Diocesana, que se realizará, em três sessões, nos meses de abril (29), maio (20) e junho (17).
Com esta Assembleia de representantes de toda a Diocese da Guarda, a qual está a ser preparada desde há três anos, pretendemos responder a perguntas fundamentais, como as seguintes.
Que modelo de Igreja estamos a viver na nossa vida de Fé e nas nossas comunidades? E como vamos ajustar-nos cada vez mais ao modelo de Igreja que os Evangelhos propõem e o Concílio Vaticano II concretizou?
Outro conjunto de perguntas, a que pretendemos responder, nesta assembleia, vem da forma como estamos a transmitir a Fé, sobretudo às novas gerações. Perguntamo-nos como havemos de fazer das nossas comunidades verdadeiras escolas de Fé e como havemos de testemunhar aos que se encontram mais afastados da vida da Igreja os valores humanizantes que o Evangelho propõe, as comunidades devem viver e dos quais a sociedade em geral necessita.
Há um terceiro conjunto de perguntas para as quais a assembleia também vai procurar encontrar caminhos de resposta. São perguntas relacionadas com a celebração da Fé. Desde as assembleias dominicais, às celebrações de baptizados, casamentos e funerais, passando por festas de padroeiros e santos populares, além de outras realidades afins, como peregrinações, a valorização de santuários ou mesmo das devoções populares, estamos perante realidades do quotidiano da vida da Igreja sobre as quais os fiéis cristãos, mas também os menos comprometidos com a vida diária das nossas comunidades precisam de esclarecimentos e orientações para que tudo possa contribuir para o bem das pessoas e o fortalecimento da vida comunitária.
Por sua vez, a organização da vida interna das comunidades e a relação entre elas, assim como orientações para os diferentes ministérios que as servem, incluindo o ministério do pároco, reservado aos sacerdotes, precisam de critérios constantemente repensados para podermos responder às exigências da Fé e às mudanças sociais, que, como diariamente sentimos, está a ser vertiginosa.
Quisemos que esta assembleia fosse o ponto de chegada de um caminho feito em conjunto, caminho de reflexão e participação alargada a todos os fiéis, principalmente aos que desempenham algum ministério e também incluindo contributos de pessoas menos integradas na vida da Igreja. Assim procurámos dar resposta ao apelo do Papa Francisco, na exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, para que os fiéis e as comunidades da Fé façam caminhada sinodal.
Vamos procurar dar a melhor resposta a esta interpelação do Papa Francisco, ao longo do ano pastoral, sobretudo na nossa Assembleia Diocesana, que nos sirva de guia para exercermos a nossa responsabilidade na procura de novos caminhos de vivermos a Fé, a testemunharmos com verdadeira alegria no meio do mundo e, com a necessária criatividade de métodos e de linguagem, a transmitirmos sobretudo às novas gerações.
Com a ajuda de Deus, a nossa humildade e a nossa persistência, vamos procurar descobrir juntos, nas três sessões desta assembleia, os caminhos da Fé para o futuro próximo da nossa Diocese e de todas as suas comunidades.