A Assembleia diocesana do Povo de Deus, na sua primeira sessão agendada para 29 de abril p.f., irá analisar e votar um conjunto de proposições, relativas ao tema “Que Igreja somos?” A Igreja é uma comunidade de pessoas que creem em Deus, uno e trino, que se nutre da Palavra e dos Sacramentos da fé, e procura viver de acordo com o que “come”: a Palavra de Deus e a Eucaristia. E tudo isto que é próprio desta comunidade crente tem se ser condimentado com a oração, esse diálogo íntimo entre o Deus e o ser humano, feito à imagem divina.
A Igreja diocesana da Guarda é o caso de uma comunidade crente implantada nas vastas imediações da Serra da Estrela, há vários séculos. Trata-se, portanto, de uma Igreja já constituída e estruturada, mas que urge sempre renovar para que não esmoreça na sua vida e testemunho cristãos. Ora, tendo em conta, que, nas últimas décadas, se alterou um conjunto de variantes – o despovoamento das aldeias, o êxodo para o litoral e estrangeiro, o entendimento da vida humana, a baixa da natalidade, a diminuição do número de padres – a ação pastoral não deverá continuar a ser igual à de antes.
A Igreja diocesana, para levar a luz de Cristo aos homens e mulheres de hoje, necessita, por um lado, de fazer algumas modificações internas tanto no seu ser como no seu agir, pois só assim continuará a ser sinal de Deus junto daqueles que vivem nas franjas da comunidade cristã; e necessita também de ajustar a sua ação pastoral às novas circunstâncias sociológicas entretanto surgidas. Em concreto, os paroquianos terão de refrear algumas das suas exigências e ser mais diligentes no cumprimento dos seus deveres cristãos; os párocos e outros agentes pastorais terão de desenvolver uma pastoral coerente e que resista à tentação de ser notícia. Com o Cristianismo entrou a bondade no mundo, uma bondade que deixa de o ser quando se exibe o bem feito.
Se não forem aprovadas proposições de compromisso com respeito ao ser e ao agir dos fiéis mais envolvidos na vida da Igreja diocesana, e promulgadas depois pela autoridade eclesiástica, Assembleia ficará com certeza nos anais da história eclesiástica da diocese, mas, aos olhos dos homens de Deus, terá um resultado de soma zero. Fica o voto de que os delegados à Assembleia se deixem guiar pelo Espírito de Deus, à semelhança dos padres conciliares há pouco mais de 50 anos na cidade do Vaticano, e que a sabedoria do Papa Paulo VI ainda inspire os dignatários da Igreja. A contraposição entre o Espírito de Deus, que se supõe instanciado nos cristãos, e o espírito do mundo, está no âmago da existência cristã e não deve ser diluída nos entusiasmos da nova era.

Pe. Joaquim Cardoso Pinheiro